quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Para pensar: TUDO NA VIDA PASSA.



Bom, não tenho muito o que dizer mais do que a canção abaixo diz. Não sei infelizmente o nome dela, mas sei que é simplesmente profunda, afinal, estamos falando de uma tradição cultura de poesia e pensamento milenar: a cultura persa. 

Quem a interpreta são três cantores: Noziya Karomatullo (a qual é uma verdadeira popstar lá), Muhammadrafi (seu irmão) e Sadriddin (o qual não sei se é afegão ou iraniano).

A letra foi extraida do grupo "Hafez, Sa'di, Khayyam, Mowlono"

<https://www.facebook.com/hafez.sahdi.khaiam.mollana>


زندگی با آشنایی با جدایی بگذرد
[Zindagi bo oshenoyi, bo judoyi bigzarad]

(Em união, como em separação, a vida segue) 



هم خدایی بگذرد هم بی خدایی بگذرد
[Ham khudoyi bigzarad, ham bî khudoyi bigzarad]
(Em união com Deus assim como em separado d'Ele, a vida segue)

هر کسی بفروخت ما را من ندانم چی خرید
[Har kasi bifrukht mo ro, man nadonam chî kharîd]
(Todos estão vendendo (algo), eu não sei o que comprar para nós)

بی بهایی بگذرد، ارزان بهایی بگذرد
[Be bahoyî bigzarad, arzon bahoyi bigzarad]
(Sem custo, ou com custo a vida há de seguir) 

دلخراشی های حسن بی نمک را دیده ایم
[Dilkharoshî hoyi ĥusni be namak ro dida im]
(Temos visto os desencantos de uma beleza insossa)

دلخراشی بگذرد هم دلربایی بگذرد
[Dilkharoshî bigzarad ham dilraboyî bigzarad]
(Qual o desencanto, assim também o encanto passa)

مشکل دل را گشادیم و نفهمیدیم او چیست
[Mushkili dil ro gushodem va nafahmidem o chîst]
(Soltamos os problemas do coração, e não entendemos nem o que são)

دلگشایی بگذرد مشکل کشایی بگذرد
[Dilgushoyi bigzarad, mushkil kushoyi bigzarad]
(Qual o prazer, assim também a dificuldade passa)

زندگی با آشنایی با جدایی بگذرد
[Zindagi bo oshenoyi, bo judoyi bigzarad]
(Em união, como em separação, a vida segue) 

هم خدایی بگذرد هم بی خدایی بگذرد
[Ham khudoyi bigzarad, ham bî khudoyi bigzarad]
(Em união com Deus assim como em separado d'Ele, a vida segue)


(Poeta/Compositor = Desconhecido)

<http://www.youtube.com/watch?v=WZYcewrNeZA>

domingo, 5 de janeiro de 2014

Reflexões para um Novo Ano

2014: como poderia ser??

Segundo dia de janeiro... E me deparo com essa frase:

"A intolerância está se espalhando feito gripe!"

(Ana Cláudia Araujo)

A única coisa que eu sei (e experiencio a cada dia, seja refletido pelo virtual, seja ocorrido no real) é que hoje em dia PRATICAMENTE NINGUÉM dá o benefício da dúvida PARA NADA: nem para si mesmo, nem pra outrem. 

Todos estão certos, enquanto o resto acaba por tornar-se errado. Tudo em nome ou de uma "autenticidade" (autós = próprio, ens = ente) ou em nome de uma atitude "politicamente correta". Ninguém mais, na prática, se importa com a opinião alheia - é certo que para tudo há um limite, mas aqui me refiro a uma PREDISPOSIÇÃO a tentar ESCUTAR o outro. Não simplesmente OUVIR de um jeito meramente pró-forma, já que nesse caso a predisposição pra NÃO ouvir faz-se latente de um jeito que quem sente, sente.

Você fala um "A", a pessoa interpreta "B", e por bobagem, ninguém se leva na esportiva. Amizades são desfeitas a troco de ninharia, e depois todos "perdoam", dizem que "não-tem-nada-contra", mas sempre mostram que na prática, não se perdoou nada de coisíssima nenhuma.

E assim, em vez de esquecer os ocorridos do passado (desde os mais escabrosos, mesmo), ou de ao menos se esforçar pra esquecer, não: muitos se afastam, tudo em nome de um "desapego". Até eu, às vezes acabo sendo vítima dessas próprias emoções, que se antes mostravam ser algo "saudável", no fim das contas, acabam tornando-se nefandas.

DESAPEGO, de fato, não é NADA disso: é simplesmente agir genuinamente como se nada tivesse acontecido. Alguns chamam de "cinismo", outros de "falsidade", ou de "hipocrisia", mas na prática, TODOS SOMOS ATORES, é como Maria Fernanda Cândido uma vez, falou, que:

"O ator, por mais que tente mentir, NÃO CONSEGUE."

Pois, justamente pela posição em que ele está, se mentir, fica feio pra ele próprio.

As atitudes nem sempre definem o que é "verdadeiro", o que é "falso", justamente por causa de uma espécie de "instinto moral", travestido de juizo de valor, que boa parte das vezes, TAMBÉM revela-se enganador, afinal, tudo o que é revelado, são PERSONAGENS que se revelam em determinado momento.

Ninguém É isso, ninguém É aquilo: TODOS somos ISSO E AQUILO.

Por isso que o mais legal é falar: "Você está agindo (= atuando) como um..." e não "Você é um...".

Porque por mais que estejamos atuando como uma determinada personagem, na prática, quem souber observar os detalhes, vai saber quais as outras possibilidades de atuação, para evitarmos de ser uns "canastrões" na vida, e assim, não expandirmos nossa visão de mundo e de nós mesmos.

As sensações são enganosas. Os sentimentos são enganosos. Os pensamentos oriundos deles são fascinantemente ilusórios. Simplesmente turvam a nossa visão do mundo, das pessoas ao nosso redor. Mâyâ.

Por isso, não deixemos de lado o que nos atrapalha: SUPEREMOS tudo o que não nos convém, ENFRENTANDO não de igual pra igual, porque um combate empatado, não muda o jogo: é como se houvesse um mero zero-a-zero; e nem com golpes baixos, porque isso é uma atitude onde o desespero e a insegurança se mostram mais latentes.

VENÇAMOS o comodismo superando-nos a nós mesmos, e não aos outros.

INTOLERÂNCIA, só se for com as NOSSAS IMPERFEIÇÕES. Sejamos menos "idiotas", no sentido etimológico do termo, isto é, paremos de olhar para nossos próprios umbiguinhos, mas...

Não nos esqueçamos de "cuidarmo-nos de nós mesmos" para só assim "conhecermo-nos a nós mesmos", e depois podermos tentar cuidar dos outros para só assim tentar conhecê-los. É um processo que demanda tempo. Não o tempo cronometrado. Mas o natural.

Por fim...

Feliz 2014. E àqueles a quem eu ofendi, ou com quem aparentei ser intolerante, ou com quem acabei tornando-me intolerante sem sentir, em 2013, que possam me perdoar de fato.

Haja um recomeço genuino. De tudo. Para melhor.


(Escrito em 02/01/2014)